Vicios em jogos eletrônicos poderá ser considerado transtorno mental pela Organização Mundial de Saúde

Um grupo de especialistas aconselhou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a considerar o vício em jogos eletrônicos como um transtorno mental. 

Os pais podem ter razão quando dizem “esse excesso de games está virando uma doença”. A Organização Mundial da Saúde reconhece os benefícios do mundo virtual como a troca de informações em tempo real. Mas alerta: o exagero é um problema de saúde pública em muitos países.

“A gente tem só que ter o cuidado de separar o que é o realmente excessivo do que é uma prática normal, do que que é jogar um videogame no dia a dia, que o brasileiro gosta muito de jogar videogame”, disse Fernando Chamis, presidente da Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames).

Para o psiquiatra Cirilo Tissot, a decisão de incluir o vício em games como transtorno vai ajudar os médicos a fazer essa diferença. Ele explica: há uma predisposição genética na maioria dos casos e sinais que servem de alerta.

“Quando eu começo a deixar de fazer outras obrigações, ir na escola, estudar, frequentar relacionamentos sociais, de amigos, quando eu começo a fazer isso em função de jogo, esse é principal sintoma de que a pessoa está viciada, esta compulsiva nessa atividade”, disse.

A dependência em games, assim como em outras atividades, tem uma explicação, uma reação bioquímica dentro do nosso cérebro: ele libera um neurotransmissor chamado dopamina, que dá uma sensação de prazer, euforia, recompensa. Quem se vicia, não consegue viver sem essa descarga de dopamina. Sempre quer mais e joga mais.

Um lugar no meio da serra a uma hora de São Paulo, longe também de drogas, álcool, excesso de comida, compras, games. É uma clínica de tratamento de dependências. O rapaz começou a jogar games com 8 anos. A família percebeu que ele estava exagerando aos 11 anos e hoje, aos 26, ele tenta voltar à vida normal, à vida real.

“Já deixei a escola. Até quando estava mais velho assim 13,14 anos, minha mãe viajou duas semanas e fiquei praticamente umas duas semanas sem ir na aula, só jogando”, contou ele.

Na clínica, ele tem acesso limitado ao computador e ao smartphone, que usa para tirar fotos e mandar pelas redes sociais para a família.

“O tratamento é justamente a pessoa, na presença da abstinência, aprender a viver de uma forma diferente. As pessoas precisam sim de alegria, felicidade, mas isso a gente pode obter de muitos outros lugares sem estar viciado, sem perder o controle” disse Tissot.

“Eu planejo o futuro com a minha família, com a minha filha, com os meus projetos de trabalho que eu tenho, de conseguir viajar, de conseguir ter minhas coisas, conquistar minha autonomia, sem compulsões”, disse o rapaz da clínica de tratamento de dependências.

 

Fonte: JN

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