Ato na Praia de Iracema reúne várias mulheres contra feminicidio que matou 315 mulheres até agora

Mais de 300 cruzes foram postas no Aterro da Praia de Iracema, na manhã ontem, para chamar atenção para o número de assassinato de mulheres no Ceará em 2018. A ação integrou o ato “Amanhecer pela Vida das Mulheres”, que propôs chamar atenção para o problema e cobrar o Governo do Estado pela criação de políticas já prometidas anteriormente.

 

As principais cobranças são a retomada da elaboração do Plano Emergencial de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e ao Feminicídio e do Plano Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres do Ceará.

 

Segundo Kauhara Moreira, integrante do Fórum Cearense de Mulheres, os documentos foram prometidos pelo governador Camilo Santana no último dia 12 de março, data em que se reuniu para negociar com integrantes de movimentos sociais que ocupavam a Casa da Mulher Brasileira, em Fortaleza.

 

“Após 12 de março, houve algumas reuniões com representantes do Governo do Estado. Foram divididas comissões para os dois planos e esse processo está paralisado desde a última reunião, em 13 de julho”, diz Kauhara.

 

Além disso, o alto índice de assassinatos de mulheres impulsionaram a realização de um protesto de denúncia e conscientização. Segundo nota assinada pelos movimentos, de janeiro a 8 de setembro deste ano, foram 315 mulheres mortas. Número que já se aproxima dos 365 registros de todo o ano de 2017.

 

O protesto contou com a presença de Rosilene Brito, 45 anos, mãe de Stefhani Brito, jovem de 22 anos que foi torturada e morta em 1º de janeiro deste ano na Capital. Após oito meses do crime, a mãe da jovem relatou, emocionada, que o caso segue em aberto e ela, sem informações.

 

Através de nota, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) respondeu ao O POVO que o inquérito acerca do homicídio de Stefhani foi concluído pela Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza, e foi remetido ao Poder Judiciário. “A especializada solicitou um mandado de prisão preventiva” contra Francisco Alberto Nobre Calixto Filho (24), “indiciado por feminicídio e na Lei Maria da Penha”. As denúncias sobre o paradeiro dele podem ser feitas, sob sigilo, pelos números 181 e (85) 3101 2055.

 

Ainda em relação aos índices de assassinato de mulheres este ano, os grupos que assinam a nota também apontam falhas nos protocolos de identificação dos casos de feminicídios. Segundo nota do protesto, apenas dez casos dos 315 foram receberam a tipificação. Por sua vez, em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), informa que 15 ocorrências estão tipificadas como feminicídio.

 

“Os dados sempre mostram o número de feminicídios diminuindo, sendo que a gente vê as notícias todos os dias e tem acesso a dados que comprovam que o número chega a 70% do número de assassinatos em geral”, aponta Kauhara.

 

Na madrugada de ontem, Patrícia Vieira da Silva, 34, e a mãe dela, Maria Genaci Pereira, 57, foram mortas a facadas no município de Iguatu. Segundo a Polícia, o ex-companheiro de Patrícia foi o autor do crime.

Com informações do jornal O povo

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