Clima de tensão da campanha eleitoral atinge passado e jornalismo da Globo

 

Vivenciamos uma das campanhas eleitorais mais tensas da história democrática do Brasil, principalmente referente aos candidatos ao Palácio do Planalto. Por ser a emissora que mais tem dado espaço aos candidatos em suas atrações jornalísticas, a Globo tem sofrido com esse clima de guerra entre os grupos políticos. Além disso, o passado da emissora e a postura adotada pelo seu jornalismo têm virado pauta entre os candidatos.

O assassinato de Marielle Franco, os tiros direcionados à caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ataque de faca ao candidato Jair Bolsonaro, a provocação de um suposto repórter ao candidato Ciro Gomes. Todos esses fatos relacionam-se direta ou indiretamente com o atual cenário de guerra que contextualiza as Eleições 2018.

Com uma cobertura extensa tanto em sua rede aberta como em seus canais fechados, o Grupo Globo, como fez nas eleições anteriores, adotou postura incisiva no trato com os candidatos – ressalta-se aqui a equidade de tratamento. Desse modo, com o agravante do cenário supramencionado, a emissora tem colhido frutos azedos desta vez.

Bolsonaro no estúdio do Jornal Nacional ao lado de Bonner e Renata (Foto: Divulgação/Globo)
Bolsonaro no estúdio do Jornal Nacional ao lado de Bonner e Renata (Foto: Divulgação/Globo)

A coluna cita alguns dos principais exemplos que dão sustentação a tese abordada. Jair Bolsonaro (PSL) causou furor no Central das Eleições da Globo News (sob o comando de Miriam Leitão) e também em sabatina no Jorna Nacional (ancorado por Bonner e Renata) ao ressaltar o apoio da emissora carioca ao Golpe Militar de 1964. Ainda no Jornal Nacional, Fernando Haddad (PT) afirmou defensivamente em sua participação adiada que a Globo era investigada ao ouvir de Bonner que a ex-presidente Dilma Rousseff é investigada; além disso, o candidato coroado por Lula afirmou ao vivo: “A Rede Globo condena por antecipação. Vocês não tratariam os problemas da Rede Globo como tratam os problemas da administração pública, mesmo se tratando de uma concessão”.

Fernando Haddad foi o último sabatinado pelo Jornal Nacional (Foto: Reprodução/Globo)
Fernando Haddad foi o último sabatinado pelo Jornal Nacional (Foto: Reprodução/Globo)

Mais recentemente, na última segunda-feira (17), Ciro Gomes (PDT) foi o primeiro entrevistado na série de entrevistas do Jornal da Globo. Apesar do ótimo desempenho da jornalista Renata Lo Prete, ao longo do tempo previamente firmado de 30 minutos, percebeu-se certo estranhamento entre o candidato e a jornalista, com direito a vários momentos nos quais o candidato pedetista criticou duramente os adversários políticos, mas também ocasiões nas quais Ciro mostrou-se incomodado com perguntas de Lo Prete, sugerindo que a mídia (incluindo-se, obviamente, a Globo) manipula o eleitor.

 

Sabe-se que há preço para tudo. Nesta situação, a Globo tem pagado um preço significativo ao ter optado por manter a postura incisiva com os candidatos em uma Eleição já tão marcada por tensões em todos os lados. Entretanto, cabe destacar que, independente de pontos de vista e apesar de erros já pautados inclusive por esta coluna, a postura do Jornalismo da emissora tem permitido tocar em pontos cruciais das candidaturas, possibilitando uma maior compreensão sobre o perfil dos postulantes.

Coluna Opinião do TV O foco

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